quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

No Mundo dos Contos de Fadas


Ler um conto de fadas a uma criança é muito mais do que contar-lhe uma qualquer história.
É dar-lhe asas e respostas para a vida.
Não deixe o seu filho em terra.


Os contos de fadas oferecem respostas para todas as dúvidas existenciais e angústias da infância. Muitos psicanalistas, psicoterapeutas e especialistas em desenvolvimento infantil estudaram a forma como estes contos actuam nas crianças que os escutam.


«Todos os problemas e ansiedades infantis, como a necessidade de amor, o medo do desamparo, da rejeição e da morte são colocados nos contos em lugares fora do tempo e do espaço, mas muito reais para as crianças», afirma o psicanalista Bruno Bettelheim no seu livro Psicanálise dos Contos de Fadas. Ainda segundo este autor, estes contos «são orientados para o futuro e guiam a criança na procura de uma existência mais independente». As personagens boas e más, sempre bem distintas, os obstáculos que enfrentam, os desfechos que não trazem finais felizes para todos, contribuem para a formação da personalidade, para o equilíbrio, para o bem-estar e contribuem também para a sabedoria e para a felicidade. Por isso são imprescindíveis na «dieta» das crianças. Hoje, são muitas as que passam «fome» deste alimento - porque é preciso crescer rápido, porque é preciso ser racional num mundo competitivo e, basicamente, porque o tempo parece não chegar. Mas há quem tenha sacudido o pó dos livros mais antigos e feito renascer a magia, servindo verdadeiros banquetes a meninos ávidos.

Contos de fadas à luz da pedagogia Waldorf

O ritmo de desenvolvimento das crianças, segundo esta pedagogia, é sagrado e deve ser respeitado. «Como defende Steiner (autor dos pressupostos teóricos em que se baseia a pedagogia Waldorf), os contos de fadas são incontornáveis a partir dos três, quatro anos. Até essa idade, incidimos nas histórias da natureza, menos elaboradas, com muito ritmo e lenga-lengas», explica Cláudia Valentim. «Até aos sete anos, os contos de fadas são muito importantes e é bom que as crianças tenham contacto com eles até essa idade, pelo menos, de preferência até aos 10.
Hoje, há muita tendência para apressar as crianças a crescer. Há pais e educadoras que dizem coisas como "Já és crescido para essas histórias" ou "Essas histórias são para bebés". Isso é um erro crasso», alerta. Além da importância de crescer sem pressas e livre da competição, a pedagogia Waldorf sublinha o valor dos conteúdos dos contos de fadas, afirmando que eles são o tesouro mais precioso da Humanidade. «É que estes contos falam de todas as verdades universais, falam-nos individualmente de cada assunto que nos preocupa em cada fase da vida, têm respostas para o que sentimos e podem ligar-nos ao nosso lado espiritual», explica Cláudia Valentim. «Há respostas a nível de valores, de ética, de construção da personalidade, respostas que vão contribuir para a formação de um ser humano feliz, centrado e com consciência de si próprio. Os contos de fadas são um alimento para a vida», resume.

Sem pressa
A criança identifica-se sempre com uma personagem da história, consoante a fase pela qual está a passar, tal como pode associar outras pessoas importantes da sua vida a outras personagens. Para que essa identificação seja mais fácil, as marionetas, segundo a pedagogia Waldorf, não devem ter rosto. Assim, é mais fácil para a criança imaginar. «As ilustrações não conseguem dar a mesma vivência de um teatro de marionetas, mas claro que também é importante contar estas histórias em casa», defende Cláudia Valentim. Importante também é escolher uma boa versão (Charles Perrault, Irmãos Grimm, Anderssen) e estar disponível. O que é muito diferente de ler a despachar. «Não se pode ler um conto de fadas com pressa ou cheio de stress. É preciso estar de alma e coração», alerta Cláudia. «Caso contrário, é preferível ler outro tipo de história», recomenda.


As crianças têm direito às versões originais

Há pais e educadores que caem na tentação alterar o fio da história. Põem a avozinha dentro do armário, em vez assumir que foi comida pelo lobo, ou que a Gata Borralheira não tinha mãe porque ela foi trabalhar para fora. Ora, todos os especialistas são unânimes em afirmar que as crianças não devem ser poupadas à violência que existe nestes contos e, mais, que esta violência é estruturante. A vida não é só cor-de-rosa. «A dor e a maldade fazem parte da vida e é bom que a criança se familiarize com essa realidade», defende Cláudia Valentim. «Quando se omitem partes da história está a privar-se a criança de elementos importantes. A criança também tem o seu lado mau e se ela sentir que há nas histórias quem passe por esses processos, quem falhe, ela vai identificar-se se saber que pode redimir-se», explica. Claro que tudo isto são processos inconscientes. E os especialistas também são unânimes quanto à necessidade de não ler a história com objectivos didácticos, sublinhando, no final, as «lições» que interessa aos pais passar. As crianças apreendem intuitivamente as mensagens relevantes. Aos pais basta-lhes estar disponíveis e acreditar no poder transformador da história. «Viver feliz para sempre» não tem de ser um exclusivo dos contos de fadas. A fantasia que se encontra nestas histórias contribui para que as crianças cresçam mais optimistas, sensíveis e confiantes. Afinal, acreditar que se pode viver feliz para sempre é determinante para que também a vida real tenha muitos finais felizes.


fonte: revista Pais&Filhos

3 comentários:

Irina disse...

De facto eu ainda não li nada ao meu bebe, e ele está com 4 meses. acho que os desenhos animados e algumas histórias do nosso tempo eram muito agressivas mas de facto acho que essa agressividade mostrada aos poucos não fará mal.
que blog tão liiiiindo, parabens.
bjinhos

RESSACA ® disse...

Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

Anita Catita disse...

Olá!
parabéns pelo blog, está fantástico.


beijinhos
Sandra