
Ler um conto de fadas a uma criança é muito mais do que contar-lhe uma qualquer história.
É dar-lhe asas e respostas para a vida.
Não deixe o seu filho em terra.
Os contos de fadas oferecem respostas para todas as dúvidas existenciais e angústias da infância. Muitos psicanalistas, psicoterapeutas e especialistas em desenvolvimento infantil estudaram a forma como estes contos actuam nas crianças que os escutam.
«Todos os problemas e ansiedades infantis, como a necessidade de amor, o medo do desamparo, da rejeição e da morte são colocados nos contos em lugares fora do tempo e do espaço, mas muito reais para as crianças», afirma o psicanalista Bruno Bettelheim no seu livro Psicanálise dos Contos de Fadas. Ainda segundo este autor, estes contos «são orientados para o futuro e guiam a criança na procura de uma existência mais independente». As personagens boas e más, sempre bem distintas, os obstáculos que enfrentam, os desfechos que não trazem finais felizes para todos, contribuem para a formação da personalidade, para o equilíbrio, para o bem-estar e contribuem também para a sabedoria e para a felicidade. Por isso são imprescindíveis na «dieta» das crianças. Hoje, são muitas as que passam «fome» deste alimento - porque é preciso crescer rápido, porque é preciso ser racional num mundo competitivo e, basicamente, porque o tempo parece não chegar. Mas há quem tenha sacudido o pó dos livros mais antigos e feito renascer a magia, servindo verdadeiros banquetes a meninos ávidos.
Contos de fadas à luz da pedagogia Waldorf

O ritmo de desenvolvimento das crianças, segundo esta pedagogia, é sagrado e deve ser respeitado. «Como defende Steiner (autor dos pressupostos teóricos em que se baseia a pedagogia Waldorf), os contos de fadas são incontornáveis a partir dos três, quatro anos. Até essa idade, incidimos nas histórias da natureza, menos elaboradas, com muito ritmo e lenga-lengas», explica Cláudia Valentim. «Até aos sete anos, os contos de fadas são muito importantes e é bom que as crianças tenham contacto com eles até essa idade, pelo menos, de preferência até aos 10.
Hoje, há muita tendência para apressar as crianças a crescer. Há pais e educadoras que dizem coisas como "Já és crescido para essas histórias" ou "Essas histórias são para bebés". Isso é um erro crasso», alerta. Além da importância de crescer sem pressas e livre da competição, a pedagogia Waldorf sublinha o valor dos conteúdos dos contos de fadas, afirmando que eles são o tesouro mais precioso da Humanidade. «É que estes contos falam de todas as verdades universais, falam-nos individualmente de cada assunto que nos preocupa em cada fase da vida, têm respostas para o que sentimos e podem ligar-nos ao nosso lado espiritual», explica Cláudia Valentim. «Há respostas a nível de valores, de ética, de construção da personalidade, respostas que vão contribuir para a formação de um ser humano feliz, centrado e com consciência de si próprio. Os contos de fadas são um alimento para a vida», resume.
Sem pressa
A criança identifica-se sempre com uma personagem da história, consoante a fase pela qual está a passar, tal como pode associar outras pessoas importantes da sua vida a outras personagens. Para que essa identificação seja mais fácil, as marionetas, segundo a pedagogia Waldorf, não devem ter rosto. Assim, é mais fácil para a criança imaginar. «As ilustrações não conseguem dar a mesma vivência de um teatro de marionetas, mas claro que também é importante contar estas histórias em casa», defende Cláudia Valentim. Importante também é escolher uma boa versão (Charles Perrault, Irmãos Grimm, Anderssen) e estar disponível. O que é muito diferente de ler a despachar. «Não se pode ler um conto de fadas com pressa ou cheio de stress. É preciso estar de alma e coração», alerta Cláudia. «Caso contrário, é preferível ler outro tipo de história», recomenda.
As crianças têm direito às versões originais

Há pais e educadores que caem na tentação alterar o fio da história. Põem a avozinha dentro do armário, em vez assumir que foi comida pelo lobo, ou que a Gata Borralheira não tinha mãe porque ela foi trabalhar para fora. Ora, todos os especialistas são unânimes em afirmar que as crianças não devem ser poupadas à violência que existe nestes contos e, mais, que esta violência é estruturante. A vida não é só cor-de-rosa. «A dor e a maldade fazem parte da vida e é bom que a criança se familiarize com essa realidade», defende Cláudia Valentim. «Quando se omitem partes da história está a privar-se a criança de elementos importantes. A criança também tem o seu lado mau e se ela sentir que há nas histórias quem passe por esses processos, quem falhe, ela vai identificar-se se saber que pode redimir-se», explica. Claro que tudo isto são processos inconscientes. E os especialistas também são unânimes quanto à necessidade de não ler a história com objectivos didácticos, sublinhando, no final, as «lições» que interessa aos pais passar. As crianças apreendem intuitivamente as mensagens relevantes. Aos pais basta-lhes estar disponíveis e acreditar no poder transformador da história. «Viver feliz para sempre» não tem de ser um exclusivo dos contos de fadas. A fantasia que se encontra nestas histórias contribui para que as crianças cresçam mais optimistas, sensíveis e confiantes. Afinal, acreditar que se pode viver feliz para sempre é determinante para que também a vida real tenha muitos finais felizes.
fonte: revista Pais&Filhos







3 comentários:
De facto eu ainda não li nada ao meu bebe, e ele está com 4 meses. acho que os desenhos animados e algumas histórias do nosso tempo eram muito agressivas mas de facto acho que essa agressividade mostrada aos poucos não fará mal.
que blog tão liiiiindo, parabens.
bjinhos
Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...
Olá!
parabéns pelo blog, está fantástico.
beijinhos
Sandra
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